Mundo

Após colapso de coalizão governista, primeiro-ministro da Itália renuncia

Saída de Mario Draghi deve culminar em eleições antecipadas na primeira quinzena de outubro

Publicada em 21/07/22 às 08:55h - 9 visualizações

por O Globo


Compartilhe
Compartilhar a notícia Após colapso de coalizão governista, primeiro-ministro da Itália renuncia  Compartilhar a notícia Após colapso de coalizão governista, primeiro-ministro da Itália renuncia  Compartilhar a notícia Após colapso de coalizão governista, primeiro-ministro da Itália renuncia

Link da Notícia:

Após colapso de coalizão governista, primeiro-ministro da Itália renuncia
 (Foto: Mario Draghi em debate no Senado, em Roma (Foto: Reprodução))

O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, renunciou nesta quinta-feira, menos de um dia após ser abandonado por partidos da coalizão durante um voto de confiança no Senado. Já prejudicada por crises domésticas e internacionais, Roma agora se vê diante de um caos político que deve culminar em eleições antecipadas na primeira quinzena de outubro.

O tecnocrata e ex-presidente do Banco Central Europeu anunciou sua decisão ao presidente Sergio Mattarella em uma reunião nesta manhã, de acordo com um comunicado emitido pelo Palácio do Quirinal, sede da Presidência da República. O presidente disse ter "tomado nota" do pedido que havia negado há uma semana, mas fez um apelo para que Draghi continue a tocar o governo até que haja alguém para substituí-lo.

Mattarella vai se reunir com os chefes do Legislativo durante a tarde para definir os próximos passos. Há duas opções: dissolver o Parlamento e anunciar eleições antecipadas ou nomear um governo provisório para comandar o país até o fim da atual Legislatura, no meio do ano que vem.

O presidente já indicou não ter planos de nomear uma líder provisório, e as novas eleições parecem praticamente garantidas. O pleito deverá acontecer dentro de 70 dias, e a imprensa italiana especula 2 de outubro como uma provável data.

Pouco antes de se reunir com Mattarella, Draghi já havia anunciado sua decisão em uma sessão na Câmara dos Deputados que debateria o mesmo voto de confiança pautado na véspera no Senado. Visivelmente emocionado, disse na plenária:

— Como vocês veem, às vezes o coração de um banqueiro também é usado — afirmou. — Diante da votação de ontem, peço que a sessão seja suspensa para que eu vá ver o presidente da República e comunicá-lo de minha decisão.

O governo de Draghi, que chegou ao poder há 17 meses, reunia todos os principais partidos italianos, com exceção do ultradireitista Irmãos da Itália. A promessa era que a ampla aliança fosse suficiente capitaneasse a recuperação pandêmica do país, destravando o potencial econômico de uma nação onde, em média, um novo governo assume a cada 14 meses.

O golpe fatal, contudo, veio na quarta, quando os dois partidos de direita à frente das pesquisas para as eleições gerais — a Força Itália, de Silvio Berlusconi, e a Liga, de Matteo Salvini — se recusaram a votar a moção de confiança. Já o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) declarou-se "presente e não votante".

A abstenção permitiu que houvesse quórum para o voto, mas apenas 133 dos 315 senadores italianos estiveram presentes. Noventa e oito deles endossaram Draghi, mas o apoio minoritário não resolveu a crise, pois o premier já deixara claro que só ficaria no governo se tivesse um amplo mandato.

A imprensa italiana chegara a anunciar que a renúncia aconteceria ainda na quarta, mas isso não ocorreu. Desta vez, Mattarella não tinha muita alternativa além de aceitar a saída de Draghi: sem Força Itália, Liga e M5S, ele não tem a maioria.

Antes da votação de quarta, os dois partidos de direita se disseram dispostos a ficar no governo, contanto que o MS5 saísse e fosse formada uma nova coalizão. A exigência, contudo, ia na contramão de uma demanda feita pouco antes pelo premier no Senado, quando disse que só permaneceria se os partidos até então aliados se alinhassem às suas propostas.

Os motivos para a dissidência são diferentes: a Liga e a Força Itália têm esperança de que, caso haja eleições neste ano, possam chegar ao poder. Um bloco governista formado pela dupla e pelo Irmãos da Itália, apontam as pesquisas, conseguiria a maioria em ambas as Casas do Legislativo se o voto fosse hoje.

Já o M5S perdeu influência na política, e busca reconstruir sua identidade, com clamores públicos por maiores gastos sociais. Foi o partido que, há uma semana, deflagrou a crise atual ao se abster de votar a favor de um pacote de gastos proposto pelo governo, alegando não ser generoso o bastante.

Draghi então apresentou sua renúncia a Mattarella, que a recusou e convocou uma consulta com os partidos da base — a votação de quarta no Senado. Desde então, houve uma série de clamores públicos pela permanência de Draghi e por alguma estabilidade em um momento particularmente conturbado.

Em junho, a inflação no país chegou a 8%, o maior nível desde 1986, cenário complicado pela perspectiva de uma recessão na Europa.

A necessidade de aprovar reformas para ter acesso ao fundo da União Europeia de € 200 bilhões (R$ 1,1 trilhão) para a retomada pós-pandemia também dificulta a vida dos italianos. O premier demissionário havia concordado com as medidas, que almejavam dar um jeito da dívida pública italiana, hoje equivalente a 150% de seu Produto Interno Bruto.

Mais de mil prefeitos, incluindo os administradores dos 10 principais centros urbanos, assinaram nos últimos dias uma petição pela permanência do premier, assim como o fizeram grupos de categorias profissionais. De acordo com uma pesquisa divulgada na semana passada pelo jornal La Stampa, apenas três em cada dez italianos querem eleições.

Todos os planos de reforma devem ser escanteados diante da perspectiva de novas eleições, assim como as deliberações sobre o Orçamento italiano para 2023. Os debates geralmente ocupam boa parte do outono boreal, e eleições neste mesmo período são sem precedentes na História recente italiana.

Os próximos meses, disse na quarta o Comissário Econômico da União Europeia, Paolo Gentiolini, podem ser "uma tempestade perfeita" para a Península Itálica.

Outra política que fica em xeque é o apoio à Ucrânia diante da invasão russa. Draghi defende o envio de armas para Kiev, mas Giuseppe Conte, o ex-premier que lidera o M5S, rompeu com o governo no mês passado por ser contra a posição oficial e defender o foco em negociações de paz.




ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário


Insira os caracteres no campo abaixo:








Nosso Whatsapp

 83981236100

Visitas: 14552
Usuários Online: 5
Copyright (c) 2022 - Radio Redação PB - O Portal Redação PB é a sua fonte de notícias, na Cidade de joão Pessoa e Região, Temos o objetivo de levar a notícia de forma clara, imparcial, E-mail- contatoaredacaopb@gmail.com