Por Jornal da Cidade Online

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um abrangente relatório com mais de 100 páginas, sob a liderança do secretário de Estado, Marco Rubio, para expor em detalhes as operações de espionagem, subversão e influência ideológica promovidas pelo regime comunista de Cuba na América Latina e dentro do próprio território norte-americano.
O dossiê apresenta um diagnóstico contundente: apesar de o modelo socialista ter levado a ilha a uma profunda derrocada econômica, a ditadura castrista conseguiu preservar e operar uma das engrenagens de inteligência mais ostensivas e perigosas do Hemisfério Ocidental ao longo de quase sete décadas.
Em entrevista exclusiva à Revista A Verdade, o jornalista Rafael Fontana destacou que, sob a perspectiva da libertação do povo cubano, o relatório não se limita a retórica. Pelo contrário, é o reconhecimento oficial de que o comunismo continua a oprimir milhões de cidadãos da ilha-prisão sob a égide da fome, de apagões e da repressão, enquanto exporta ideologia e desestabilização em todos os continentes.
A verdadeira libertação do povo cubano exige o fim desse regime anacrônico, e Washington parece finalmente disposto a agir com firmeza. O documento surge em meio a uma intensificação clara de pressão americana, incluindo o bloqueio de combustíveis que já provoca colapso energético na ilha e novas sanções contra entidades ligadas ao aparato repressivo e de exploração do regime.
O documento enquadra Cuba como ‘ameaça à segurança da pátria americana’ e como centro de uma rede hemisférica de influência hostil. Em um momento em que a administração Trump já demonstrou disposição para intervir no hemisfério, como no caso da Venezuela, o texto funciona como justificativa estratégica para medidas que podem ir além da diplomacia, visando a mudança de regime e a restauração da liberdade em Cuba.
Os impactos geopolíticos são profundos tanto nas Américas quanto no mundo. Na região, o relatório reforça a mensagem de que Washington não tolera mais regimes alinhados a Rússia, China e Irã, isolando ainda mais Havana e pressionando governos que a protegem.
Países democráticos são chamados a escolher um lado: apoiar a liberdade ou continuar legitimando uma ditadura falida que sobrevive à custa do sofrimento do próprio povo.
No Brasil, o relatório chega em momento especialmente sensível, já que o governo Lula mantém a política de solidariedade a Havana, enviando todo o tipo de ajuda e criticando o embargo americano à ilha.
Essa postura de alinhamento com o regime cubano pode se transformar em uma pedra no sapato nessas eleições de outubro. A direita tem condições de explorar o contraste entre o apoio brasileiro a uma ditadura e o clamor internacional pela libertação do povo cubano.
A libertação de Cuba não é apenas questão de direitos humanos. Ela é uma condição para a estabilidade e das Américas e para a liberdade e a segurança em todo o Hemisfério.
Conforme aponta o documento oficial de Washington, Havana vem travando uma guerra assimétrica e de desgaste contínuo contra as democracias ocidentais e a segurança do continente. O relatório detalha minuciosamente como os serviços de inteligência cubanos foram capazes de cooptar e infiltrar agentes nos mais altos escalões da diplomacia e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Casos emblemáticos citados no levantamento, como os dos espiões Ana Belén Montes, Victor Manuel Rocha e Walter Kendall Myers, demonstram a estratégia pragmática de recrutamento ideológico voltada a burocratas que obtêm acesso a informações confidenciais de alto valor estratégico.

Victor Manuel Rocha, de 75 anos, um ex-embaixador dos Estados Unidos, admitiu ter servido como agente secreto para o governo de Cuba por 40 anos. Ele chegou a ser conselheiro especial do comandante do Comando Sul dos EUA, e essa é considerada uma das traições mais escandalosas da história recente do serviço diplomático americano.
Nos anos de 2022 e 2023, Rocha teve conversas com um representante do Departamento Geral de Inteligência de Cuba. Nesses encontros, o ex-embaixador contou que trabalhou como espião durante décadas.
No entanto, o homem que Manuel Rocha pensava ser um dirigente dos serviços de inteligência de Cuba era, na verdade, um agente disfarçado do FBI.
O procurador-geral Merrick Garland divulgou um comunicado sobre o caso. No texto, ele afirma que durante mais de 40 anos, Victor Manuel Rocha agiu como um agente do governo cubano e “buscou e obteve posições no governo do EUA que dariam a ele acesso à informação que não era pública e a capacidade de influenciar a política externa nos EUA”.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2024/02/29/ex-embaxador-americano-admite-ter-sido-espiao-secreto-de-cuba-e-se-declara-culpado.ghtml

Já Ana Belén Montes tornou-se a principal analista dedicada a questões políticas e militares da ilha dentro da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos (DIA, na sigla em inglês), onde desenvolveu uma carreira de sucesso entre 1985 e 2001.
Nesse período, Montes ganhou várias promoções, bem como dez prêmios especiais por seu trabalho, incluindo um Certificado de Distinção de Inteligência Nacional (o terceiro maior prêmio na área) concedido a ela em 1997 pelo então diretor da CIA, George Tenet.
No entanto, o lugar onde realmente deveriam ser gratos pelos serviços de Montes era a Cuba de Fidel Castro, para a qual ela trabalhou como espiã durante seus anos a serviço do DIA, dando a Havana acesso a informações altamente confidenciais.
"No primeiro dia em que entrou na Agência de Inteligência de Defesa, Montes já era uma agente recrutada em tempo integral pelo Serviço de Inteligência cubano. Todos os dias ela ia trabalhar, seu objetivo era memorizar as três coisas mais importantes que ela achava que os cubanos precisavam saber para se proteger dos Estados Unidos", diz à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC) Peter Lapp, um dos dois agentes do FBI encarregados da investigação realizada contra Montes, que levou à sua captura em 2001 e posterior condenação a 25 anos de prisão por espionagem.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64200653
Na opinião do analista internacional Cezar Roedel, em entrevista exclusiva à Verdade, o documento divulgado pelo Departamento de Estado apenas reforça uma percepção consolidada há décadas nos meios de inteligência ocidentais, uma vez que Cuba tratou a espionagem como política de Estado, utilizando redes ideológicas e estruturas de apoio em diversos países para ampliar sua capacidade de coleta de informações e projeção política.
Na América Latina, esse debate também remete inevitavelmente ao papel desempenhado por Cuba na articulação de movimentos políticos de esquerda ao longo das últimas décadas. O Foro de São Paulo deve ser compreendido dentro desse contexto mais amplo de aproximação política e ideológica entre partidos e governos da região, ainda que seja importante distinguir articulação política de operações de inteligência propriamente ditas.
Em inteligência, (conexões, influência e acesso) costumam ser ativos tão valiosos quanto agentes clandestinos. Por isso, qualquer revelação sobre a atuação histórica dos serviços cubanos merece ser analisada, levando em consideração seus possíveis desdobramentos para a segurança hemisférica e para a proteção das instituições democráticas.

Para além das atividades tradicionais de espionagem, o relatório expõe o papel central de Cuba na articulação e no fomento de movimentos extremistas de esquerda em toda a América Latina e nos Estados Unidos. O dossiê do governo norte-americano associa a infraestrutura revolucionária de Havana à intensificação de tensões sociais e distúrbios civis, citando conexões com grupos radicais como o Antifa e a promoção de manifestações em ambientes universitários. Entidades de fachada e organizações ativistas também são apontadas como ferramentas de propaganda estratégica destinadas a manipular a opinião pública e enfraquecer o tecido institucional ocidental.
O levantamento geopolítico conduzido por Marco Rubio coloca ainda a ditadura cubana no núcleo de uma perigosa aliança antiamericana integrada por potências autocráticas globais, nomeadamente a Rússia, a China e o Irã. O documento alerta que a posição geográfica privilegiada da ilha caribenha tem sido oferecida como plataforma logística e de inteligência para que esses regimes autoritários expandam sua presença militar, cibernética e de influência política na América Latina, representando um desafio sem precedentes à estabilidade do continente.
Diante da repercussão internacional das denúncias, a cúpula do regime de Havana reagiu de forma exaltada. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, classificou as conclusões do Departamento de Estado como uma "falácia" e acusou Marco Rubio de fabricar pretextos para endurecer sanções econômicas e articular ações de maior pressão sobre a ilha.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/21/briga-de-embaixadores-cuba-acusa-eua-de-provocar-acao-militar-com-mentiras-sobre-a-ilha-apos-fala-rubio.ghtml
De acordo com o analista político Leandro Ruschel, o que está em curso é a retomada da Doutrina Monroe, na versão de Trump: manter potências estrangeiras longe da América Latina. E isso resolve duas coisas de uma vez, segundo ele:
Primeira, garante aos Estados Unidos acesso aos recursos de que eles precisam, e que estão do lado de cá do mapa. Energia, alimento, mineral crítico.
Segunda, e mais importante, tira esses recursos do alcance de Pequim. Toda tonelada de minério e todo porto que a China não controla no continente americano é capacidade que ela não tem numa disputa global.
É a mesma lógica na outra ponta do mundo. Quando os americanos atuam contra o Irã, não estão obcecados com aiatolá. Estão desmontando a ponta de lança do eixo China-Rússia-Irã, e trabalhando para que o petróleo do Golfo não vire instrumento nas mãos de Pequim. Uma guerra não desloca a outra prioridade. As duas servem à mesma prioridade.
Na opinião de Ruschel, finalmente há reconhecimento oficial, em Washington, do papel nefasto que a ditadura comunista cubana exerceu no continente.

Hugo Chávez e Fidel Castro
Cuba, em si, tem pouquíssimo a oferecer aos Estados Unidos em termos de recursos. A ilha é um caso de miséria administrada. Mas em termos políticos ela é a cabeça da cobra. E pouca gente entende o tamanho do estrago.
Começa pela simples promoção do comunismo no continente, o que por si só já representou um atraso incomensurável. Décadas de desenvolvimento perdidas, de país em país, na base de uma ideia que nunca funcionou em lugar nenhum.
Mas não parou aí. Passou pela luta armada, pelo treinamento e financiamento de guerrilha, e chegou à promoção do crime, inclusive do tráfico de drogas.
E aqui está a parte que quase ninguém no Brasil conhece, porque a doutrina foi ensinada, não improvisada.
O jornalista Leonardo Coutinho, no livro "Hugo Chávez, o espectro", reproduz o relato de um ex-militar do círculo próximo de Chávez. Segundo esse relato, a justificativa moral para pôr o aparato do Estado venezuelano a serviço do narcotráfico foi ensinada a Chávez por Fidel Castro. Repare no verbo. Ensinada.

Guarda costeira americana apreendeu R$ 900 milhões de cocaína em 2023
A lógica é a seguinte, segundo Ruschel: a cocaína seria uma arma contra o inimigo eterno, os Estados Unidos. Uma arma que corrói a sociedade americana por dentro, que obriga Washington a gastar fortunas em repressão, e que ainda financia a revolução no caminho.
Não é teoria. É método. Havana já havia feito exatamente isso nos anos 80, aproximando as FARC e o M-19 dos cartéis colombianos, e usando a própria ilha como entreposto de cocaína na porta dos Estados Unidos. Em 1982, uma corte de Miami condenou quatro oficiais cubanos de alta patente, dois deles do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, por conspirar para introduzir droga em território americano.
Ou seja: o que o Brasil hoje chama de facção, e trata como problema de polícia, nasceu como projeto político de guerra assimétrica contra o Ocidente. Hoje, os Estados Unidos promovem a maior pressão sobre a ditadura cubana desde a revolução. E há chance real de mudança.

Lula em reunião do Foro de São Paulo
Não é coincidência que o conflito com o Descondenado tenha escalado exatamente agora. Lula foi um dos principais sócios de Fidel Castro na operação de transformar o continente numa grande ditadura socialista. O Foro de São Paulo é a prova documental disso, fundado por eles, com essa finalidade, e operando há mais de três décadas.
Então entenda o que está em jogo. Não é uma briga de tarifa. Não é antipatia pessoal entre chefes de Estado.
O governo americano está desmontando o projeto de uma vida. Trump e Rubio estão dinamitando a obra que o Descondenado passou quarenta anos construindo, e por isso a reação dele é de desespero, não de diplomacia.
Cuba não é o objetivo número um. Cuba é o mito fundador. E quando o mito fundador cai, cai junto tudo o que foi construído sobre ele.

Confira o relatório completo do governo americano sobre Cuba:
https://www.state.gov/wp-content/uploads/2026/07/Cuba-Report.pdf
da Redação

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