Até aqui, Cícero deu muito mais do que recebeu da oposição
O ex-prefeito de João Pessoa teria condições de indicar, sem debate e agonia, o vice da chapa do PP, seu partido à época. Optou, porém, pela ruptura com o governo – com o qual contou para se eleger e se reeleger – e renunciar a maior prefeitura da Paraíba.
O gesto de Cícero, com todos os seus riscos, deu a oposição um candidato competitivo e a estrutura para viabilizar projetos políticos de deputados e aliados do cassismo e do MDB, de Veneziano Vital.
E o que Lucena recebeu em troca até agora?
Afora o apoio de Veneziano, que precisava de um cabo eleitoral em João Pessoa, conta-se nos dedos a adesão dos prefeitos do MDB ou da base do senador.
A filiação ao partido carregava consigo a expectativa de garantir a fatura da aliança com o PT. Por água abaixo. O partido ficou com a chapa do governador Lucas Ribeiro (PP), que contará com Lula (PT) no guia eleitoral.
O MDB ainda criou um pepino ao não atrair de fora e nem prospectar de dentro um segundo senador com densidade estadual suficiente para criar perspectiva de poder.
A aliança com o clã Cunha Lima pretendia ser a catapulta para uma grande votação em Campina Grande. Até agora, a expectativa frustrou-se, a julgar pelas pesquisas internas.
Além da negativa Pedro para a vaga de vice, Cícero ainda precisou conviver com o “nego” do prefeito Bruno Cunha Lima (União) e engolir a divisão do grupo.
Até aqui, Cícero deu muito mais do que recebeu. Tem mais crédito do que débito nessa composicão. A não ser que os Cunha Lima e Veneziano se esforcem muito para diminuir o prejuízo até o final do primeiro turno.


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