Construído a partir de 1748, templo atravessou quase três séculos e permanece como referência de fé, memória e identidade no Litoral Sul da Paraíba
No centro do Conde, uma construção atravessa gerações e ajuda a contar a própria história do município. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, cuja construção teve início em 1748, completa em 2026 278 anos desde o começo de sua edificação, permanecendo como um dos principais símbolos históricos e religiosos da cidade.
Muito antes da construção do atual templo, a devoção a Nossa Senhora da Conceição já estava presente na formação do povoado. Registros históricos situam em 1668 a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, em um período no qual a presença da Igreja Católica estava diretamente relacionada à organização dos primeiros núcleos populacionais do Litoral Sul paraibano.
O templo que permanece no centro da cidade começou a ser erguido oito décadas depois, em 1748, com conclusão apontada para 1768. Ao longo dos séculos, a igreja acompanhou as transformações do Conde e tornou-se uma referência em torno da qual se desenvolveram parte da vida religiosa e da dinâmica urbana da comunidade.
A própria configuração do centro da cidade guarda marcas dessa formação. Igreja, praça e espaços de convivência estabeleceram-se como pontos de encontro da população, característica encontrada em diferentes cidades surgidas durante o período colonial.
Fé que atravessa gerações
Para além de sua importância arquitetônica e histórica, a Matriz permanece como espaço de expressão da religiosidade católica. Batizados, casamentos, celebrações, despedidas e festas religiosas fizeram do templo parte da memória de diferentes gerações de moradores.
Essa relação ganha maior visibilidade durante as celebrações de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da comunidade. Em dezembro, a programação religiosa tradicionalmente reúne fiéis em missas, novenas e procissões, mantendo uma devoção que antecede até mesmo a construção do atual edifício.
A igreja preserva características associadas à arquitetura religiosa colonial do século XVIII. Sua implantação em uma área elevada também deu origem a relatos transmitidos por moradores sobre a posição estratégica do templo. Segundo essas narrativas, em outros tempos seria possível observar, a partir da região da igreja, áreas em direção ao litoral. Esse aspecto, contudo, merece ser apresentado como memória ou relato local, caso não haja documentação histórica que confirme que a construção teve finalidade defensiva.
Estilo arquitetônico
Esta edificação representa o estilo Barroco Colonial Português, caracterizado pela sua fachada simétrica e sóbria que reflete a tradição arquitetônica religiosa dos séculos XVII e XVIII no Brasil colonial. O grande destaque visual é o seu frontão superior trabalhado em linhas curvas e contracurvas (volutas), coroado por uma cruz central e pináculos decorativos, que contrasta com as molduras retas de pedra nas janelas do coro e na porta principal. A composição completa-se com o tradicional cruzeiro de madeira assente sobre uma base de pedra no adro, elemento marcante do urbanismo e da devoção comunitária da época colonial.
Um patrimônio no coração do Conde
Passados 278 anos do início de sua construção, a Igreja Matriz permanece no mesmo lugar enquanto a paisagem ao redor se transforma. O pequeno núcleo colonial deu lugar à cidade contemporânea, mas o templo continua ocupando posição de destaque no centro do Conde.
Não se trata apenas de uma construção antiga, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição reúne diferentes dimensões da história local: religiosidade, arquitetura, memória coletiva e formação urbana.
É também um patrimônio vivo. Suas portas continuam abertas para celebrações e para uma comunidade que, geração após geração, mantém uma relação de pertencimento com aquele espaço.
Assim, contar a trajetória da Igreja Matriz é também percorrer parte da história do próprio Conde. Desde 1748, suas paredes acompanham uma cidade que cresceu e se transformou sem deixar para trás um dos símbolos mais antigos de sua memória.








Fotos @parahyba_pb

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