La Paz, 1º de novembro de 2026 — O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou no último sábado, 31 de outubro, estado de emergência nacional para enfrentar os efeitos devastadores do fenômeno climático El Niño — classificado por autoridades como um "Super Niño" — que já provoca estiagem severa em seis dos nove departamentos do país.
Os números da crise
Dados divulgados pelo Ministério da Defesa Civil confirmam a gravidade da situação:
78.217 famílias afetadas pela falta de água e perda de meios de subsistência
75.013 cabeças de gado mortas em consequência da seca e escassez de pastagens e forragem
Outras 917.447 cabeças de gado estão em situação de risco
60.106 hectares de cultivos foram perdidos
1.486 comunidades atingidas em 63 municípios
Os departamentos mais atingidos são Oruro, La Paz, Chuquisaca, Cochabamba, Santa Cruz e Potosí, com Oruro concentrando o maior impacto.
O que motivou o decreto?
A declaração de emergência tem duplo propósito: responder à seca que já castiga o Altiplano, os vales e regiões do Chaco, e ao mesmo tempo preparar-se para inundações que podem ocorrer em regiões baixas com a chegada da temporada de chuvas entre novembro e fevereiro.
Segundo o presidente Rodrigo Paz, a medida libera recursos financeiros, mobiliza equipes de resgate e permite a articulação entre Forças Armadas, polícia e instâncias governamentais, além de facilitar a captação de cooperação internacional.
"Este será um fenômeno que trará golpes muito duros, tanto por seca quanto por enchentes. Precisamos da cooperação de todas as instituições", afirmou Paz em mensagem à nação.
Contexto: o El Niño histórico
A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Meteorológica Mundial alertam que o evento atual pode alcançar intensidade sem precedentes, superando registros das últimas quatro décadas. O fenômeno deve atingir seu pico até o final de 2026 e seus efeitos podem prolongar-se em 2027.
Na Bolívia, a escassez de água afeta tanto o consumo humano quanto a produção agrícola e pecuária — setores que sustentam a economia de vastas áreas rurais. Produtores relatam já adotar medidas extremas, como alimentar o gado com palmeiras-doce (tunas) para tentar mantê-lo vivo.
Ações e perspectivas
O governo prevê distribuir água por caminhões-pipa, entregar ração para animais, reabilitar estradas e sistemas de irrigação, além de preparar planos de evacuação e socorro para áreas sob risco de enchentes. O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, advertiu que o cenário pode agravar-se nos próximos meses e pediu que a emergência não fique apenas no papel.
A comunidade internacional já foi acionada. A ONU mobilizou, por meio do OCHA, recursos de fundos humanitários para prevenção em países da região.
A situação da Bolívia ilustra, de forma dramática, como eventos climáticos extremos — potencializados pelas mudanças climáticas — atingem com força especial os países em desenvolvimento, onde grande parte da população depende diretamente da agricultura e da pecuária de subsistência.
Fontes: Agência Boliviana de Informação (ABI), ANF, El Deber, Al Jazeera, DW, Xinhua — 28/10 a 01/11/2026.




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