Repete-se à exaustão um roteiro que a sociedade brasileira já conhece bem. Quando o envolvido é de determinado lado do espectro político, os holofotes se acendem, as manchetes dominam os noticiários por dias e o coro de exigência de investigação imediata é unânime.
Quando o nome ligado a fatos graves é filiado ao Partido dos Trabalhadores, o brilho diminui, as notas ficam menores e o silêncio toma conta das redações.
É o que se observa mais uma vez com o caso envolvendo o ex-governador da Paraíba e recém-eleito deputado federal Ricardo Coutinho.
O episódio que ganhou o noticiário local e regional
Na noite de segunda-feira, 2 de novembro de 2026, nas proximidades do Centro Olímpico de Santa Maria, no Distrito Federal, moradores acionaram a polícia relatando que um homem — posteriormente identificado como Ricardo Coutinho — teria estacionado o veículo próximo a crianças que jogavam futebol, piscado os faróis e feito gestos com as mãos em direção aos menores, como se os chamasse para perto do carro.
O caso foi registrado pela Polícia Civil do DF como ocorrência "em apuração".
O histórico que não pode ser ignorado
Este não é o primeiro episódio que levanta questionamentos sobre a conduta do ex-governador.
O silêncio da grande imprensa: por quê?
O que chama a atenção não é apenas o fato em si, mas a desproporção no tratamento dado pela mídia de alcance nacional.
A omissão gera perguntas inevitáveis:
O critério de noticiabilidade é o mesmo para todos os partidos?
Quando o investigado é petista, a exigência de transparência e apuração plena deixa de valer?
A proximidade editorial com determinadas agremiações influencia o que o público fica sabendo?
Não se trata de defender condenação antecipada — a presunção de inocência é garantia constitucional e deve ser respeitada. Mas também não pode ser aceita a seletividade na informação.
O que está em jogo
Ricardo Coutinho tem o direito de defender-se, de apresentar provas, de provar que as acusações são infundadas.
Quando a imprensa cala diante de fatos relevantes só porque o nome que aparece é de um partido específico, ela deixa de cumprir seu papel de fiscalizar e informar.
Nota de transparência: Esta matéria apresenta diferentes versões dos fatos. A investigação segue em curso. Ricardo Coutinho nega as acusações e exerce seu direito de defesa
O episódio que ganhou o noticiário local e regional
Na noite de segunda-feira, 2 de novembro de 2026, nas proximidades do Centro Olímpico de Santa Maria, no Distrito Federal, moradores acionaram a polícia relatando que um homem — posteriormente identificado como Ricardo Coutinho — teria estacionado o veículo próximo a crianças que jogavam futebol, piscado os faróis e feito gestos com as mãos em direção aos menores, como se os chamasse para perto do carro.
O caso foi registrado pela Polícia Civil do DF como ocorrência "em apuração".
Não houve prisão nem indiciamento até o momento. O político prestou depoimento na delegacia e apresentou versão distinta: segundo sua defesa, levava o enteado para uma aula de futebol, as luzes piscaram automaticamente ao travar o veículo e jamais fez qualquer gesto para chamar as crianças. A defesa classificou ainda o episódio como tentativa de extorsão e ameaça.
O histórico que não pode ser ignorado
Este não é o primeiro episódio que levanta questionamentos sobre a conduta do ex-governador.
Ricardo Coutinho foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2020, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014, fato que resultou em oito anos de inelegibilidade — decisão confirmada na instância superior.
Responde também a processos no âmbito da Operação Calvário, que apurou esquema de corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro na Paraíba, envolvendo supostos pagamentos de propina e aquisição de bens de alto valor. Em 2020, o Superior Tribunal de Justiça revogou sua prisão preventiva, substituindo por medidas cautelares.
Mesmo com esse histórico, Coutinho foi eleito em outubro de 2026 o terceiro deputado federal mais votado da Paraíba, com 163.277 votos.
Responde também a processos no âmbito da Operação Calvário, que apurou esquema de corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro na Paraíba, envolvendo supostos pagamentos de propina e aquisição de bens de alto valor. Em 2020, o Superior Tribunal de Justiça revogou sua prisão preventiva, substituindo por medidas cautelares.
Mesmo com esse histórico, Coutinho foi eleito em outubro de 2026 o terceiro deputado federal mais votado da Paraíba, com 163.277 votos.
O silêncio da grande imprensa: por quê?
O que chama a atenção não é apenas o fato em si, mas a desproporção no tratamento dado pela mídia de alcance nacional.
Veículos de grande circulação mantiveram silêncio quase total sobre o episódio de Brasília, enquanto fatos de gravidade semelhante envolvendo políticos de outras legendas costumam receber cobertura ampla, com análises, repercussão e cobrança de posicionamento das autoridades.
A omissão gera perguntas inevitáveis:
O critério de noticiabilidade é o mesmo para todos os partidos?
Quando o investigado é petista, a exigência de transparência e apuração plena deixa de valer?
A proximidade editorial com determinadas agremiações influencia o que o público fica sabendo?
Não se trata de defender condenação antecipada — a presunção de inocência é garantia constitucional e deve ser respeitada. Mas também não pode ser aceita a seletividade na informação.
A sociedade tem o direito de saber o que acontece, independentemente da filiação partidária de quem está envolvido.
O que está em jogo
Ricardo Coutinho tem o direito de defender-se, de apresentar provas, de provar que as acusações são infundadas.
E a polícia tem o dever de investigar com isenção, ouvindo todas as partes e apurando rigorosamente os fatos. O que não é aceitável é que a informação seja filtrada conforme a conveniência política.
Quando a imprensa cala diante de fatos relevantes só porque o nome que aparece é de um partido específico, ela deixa de cumprir seu papel de fiscalizar e informar.
E é a democracia que sai perdendo. O eleitor precisa de fatos, não de seleção. E os fatos, com todas as suas versões, devem chegar ao conhecimento público — sempre, sem exceção.
Nota de transparência: Esta matéria apresenta diferentes versões dos fatos. A investigação segue em curso. Ricardo Coutinho nega as acusações e exerce seu direito de defesa
A presunção de inocência deve ser respeitada até conclusão do processo.




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