Litoral Sul da Paraíba terá o primeiro resort nudista do continente, com R$ 150 milhões investidos em Pitimbu


Redação com Paulo Luiz

O Litoral Sul da Paraíba vai ganhar um empreendimento hoteleiro fora do padrão. O Villamor Tambaba Resort, em construção no município de Pitimbu, perto da Praia do Amor e nas proximidades da Praia de Tambaba — pioneira do naturismo no Brasil —, prevê investimento superior a R$ 150 milhões e se posiciona como o primeiro resort de conceito liberal e naturista do continente.
O projeto

O resort terá 284 apartamentos de alto padrão e está previsto para ser inaugurado em 2027. Ocupará uma área de aproximadamente 40 mil metros quadrados, dos quais cerca de 12,8 mil m² serão de estrutura construída; o restante, aproximadamente 75% do terreno, deve ser mantido como área natural preservada, num conceito de integração entre turismo e meio ambiente.

A lista de atrações inclui cinema, heliponto, restaurante, spa, sauna, ofurô, um lounge na natureza e um bar montado dentro de um Boeing 737 à beira da piscina. Segundo o projeto, a aeronave será desmontada, transportada até o local e remontada no complexo para abrigar uma boate temática com capacidade para até 100 pessoas, preservando a cabine original.
Impacto econômico local

A previsão dos empreendedores é de cerca de 150 empregos durante a fase de obras, 300 empregos diretos na operação do resort e mais de 300 vagas indiretas na região. Para Pitimbu — cidade pequena, de economia baseada em pesca, agricultura e turismo sazonal —, um empreendimento desse porte representa demanda permanente por serviços, fornecedores locais de alimentos e manutenção, e qualificação de mão de obra em hotelaria.

O modelo de negócio é o de multipropriedade (fração imobiliária), em que várias pessoas compram cotas de uso de uma mesma unidade — formato que tem impulsionado a construção de resorts no Nordeste nos últimos anos por diluir o custo de aquisição e garantir capital para a obra antes da inauguração.
Um nicho específico

A escolha de Pitimbu não é casual. A vizinha Praia de Tambaba, no município de Conde, abriga a primeira praia oficialmente naturista do Brasil, com área de prática obrigatória delimitada desde os anos 1990, e atrai um público específico de turismo naturista de todo o país e do exterior. O Villamor tenta capturar e ampliar essa vocação, mirando também o segmento de turismo “liberal” e de casais, ainda pouco explorado formalmente pela hotelaria brasileira. É uma aposta de diferenciação: em vez de competir com os grandes resorts de tudo incluído do Litoral Norte e de Pernambuco pelo turista de família, o empreendimento busca um público de nicho, de maior gasto médio e menos sensível à sazonalidade.
O Litoral Sul em movimento

O empreendimento se soma a um conjunto de iniciativas de estruturação turística na região. O Sebrae Paraíba, em parceria com o Fórum Regional de Turismo Sustentável Costa das Falésias (FORTSCF), lançou o roteiro integrado Costa das Falésias, que reúne os municípios de Conde, Pitimbu e Caaporã em torno das falésias coloridas, das praias e da gastronomia. Pitimbu também tem sido apontada pelo governo estadual como destino estratégico, com ações de promoção e investimento em infraestrutura, incluindo as maiores piscinas naturais da Paraíba, em Acaú.
Relação com Pernambuco

Pitimbu faz divisa com o Litoral Norte de Pernambuco, e a região de Goiana e Itamaracá está a poucos quilômetros. Essa proximidade cria um mercado consumidor imediato — o turista pernambucano de fim de semana — e também concorrência: o Litoral Norte de PE tem forte oferta de segunda residência e pousadas. Um resort de nicho como o Villamor não disputa diretamente esse público, mas se beneficia do fluxo rodoviário que já circula entre os dois estados pela orla.
Perspectivas

Como todo projeto ainda em obras, o Villamor Tambaba depende de cumprir o cronograma até 2027, de o modelo de multipropriedade vender as cotas previstas e de a operação confirmar a demanda para um produto de nicho. Se der certo, pode consolidar o Litoral Sul paraibano — hoje conhecido pelas falésias e pelo turismo de baixo impacto — como um polo de hotelaria segmentada, com ticket médio mais alto e operação o ano inteiro.

Fontes: Sebrae Paraíba e FORTSCF (roteiro Costa das Falésias); Prefeitura de Pitimbu.

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