BRASÍLIA — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil–AP), viu nesta semana sua base de apoio encolher ainda mais na corrida pela reeleição ao comando da Casa, marcada para fevereiro de 2027. Dois senadores que haviam sinalizado respaldo retiraram o apoio, aumentando a incerteza sobre sua permanência no cargo.
Os desfalques
As perdas mais recentes foram confirmadas nas últimas 48 horas:
Um senador do PP, que havia assinado a nota de apoio da federação União Brasil–PP, comunicou diretamente a Alcolumbre que não manterá o voto, alegando "divergências de rumo" na articulação política.
Outro parlamentar do centro, que havia sido aproximado por intermediários, informou que acompanhará a decisão de sua bancada de apoiar a candidatura alternativa do senador Rogério Marinho (PL–RN), oficializada pelo partido na quarta-feira (4).
Com as duas baixas, a conta de Alcolumbre recuou de 33 para 31 votos — faltando 10 dos 41 necessários para a vitória.
O enfraquecimento acumulado
A situação se agrava sobre um cenário já desfavorável:
No Amapá, sua base política, o governador aliado Clécio Luís perdeu a reeleição no primeiro turno para Dr. Furlan (PSD), adversário histórico do senador.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT–AP), também não foi eleito ao Senado, reduzindo a capacidade de articulação no estado.
O PL, que terá a maior bancada da Casa (29 senadores), rejeitou qualquer acordo e lançou candidatura própria, fechando caminho para um dos blocos decisivos.
Dentro da própria federação União Brasil–PP, vozes discordam da estratégia de Alcolumbre de "agradar a todos os lados" sem resultados concretos.
A estratégia que emperra
Para reverter o quadro, Alcolumbre tem negociado presidências de comissões, gabinetes de destaque e até a possibilidade de um acordo de "pacificação" que incluiria indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro — mas a iniciativa não convence nem a base governista nem a oposição.
"Ele corre contra o tempo. Cada voto que sai é um sinal de que a costura está desfiando", resume um líder partidário que prefere o anonimato.
O confronto se define
A oposição já trabalha para unir todos os votos em torno de Rogério Marinho. A estratégia é clara: concentrar forças para evitar dispersão e superar a barreira dos 41 votos. Do lado governista, avalia-se se será possível fechar as brechas na base ou se haverá necessidade de buscar um nome alternativo a Alcolumbre nos próximos meses.
A eleição do Senado promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos — e, a cada desfalque, a reeleição de Davi Alcolumbre deixa de ser dada como certa.
Matéria em desenvolvimento. Novos detalhes na próxima edição.

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