Brasília, 26 de outubro de 2026 — Atualizado em 7 de novembro
Na manhã de segunda-feira, 26 de outubro, poucas horas após o anúncio do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saía da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília — onde o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar — quando foi abordado por agentes da Polícia Federal na porta da residência.
Jair Bolsonaro, que estava no interior da casa, acompanhou a cena e viu pessoalmente os policiais entregarem a intimação ao filho.
O que aconteceu na porta
Os agentes apresentaram a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF:
Flávio deveria entregar, em até 24 horas, seu passaporte comum e o diplomático;
Ficou proibido de deixar o território nacional;
Também foi determinado o afastamento e a proibição de contato com o advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro.
Flávio relatou que o pai o chamou para uma conversa reservada logo após a intimação e lhe perguntou se ele compreendia os desdobramentos que se seguiriam. Foi nesse encontro que Bolsonaro transmitiu seu recado, segundo o próprio senador:
"Filho, eles não vão parar por aqui. Você sabe o que vai acontecer. Não fique para ser preso injustamente."
O desfecho
Apesar de inicialmente declarar que cumpriria a ordem e que jamais pensou em deixar o país, Flávio não entregou os documentos no prazo. No dia seguinte, atravessou a fronteira com a Argentina e, na manhã de 28 de outubro, chegou aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas. A PF, por consequência, cancelou seus passaportes.
Em vídeo publicado dias depois, Flávio confirmou que a conversa com o pai foi decisiva para sua decisão de sair do Brasil:
"Se eu estivesse no Brasil neste momento, não poderia nem estar falando com vocês. O recado do meu pai foi claro: essa perseguição não tem freio."
O contexto das investigações
Flávio Bolsonaro é alvo de inquéritos que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, ligadas às relações com o advogado Willer Tomaz e a movimentação de recursos em esquemas associados ao INSS, na chamada Operação Sem Desconto. A partir de fevereiro de 2027, ele perde o foro privilegiado e passará a responder como cidadão comum.
Reações
Ministro Alexandre de Moraes: classificou a medida como cautelar necessária para garantir a presença do senador no país durante as investigações.
Defesa de Flávio: sustenta que a decisão foi política e que a perseguição se intensificou após a derrota eleitoral.
Opinião pública: div
idida — parte vê a fuga como confissão antecipada; outra, como prova de perseguição política.
Fontes: Correio Braziliense, R7, Agência Brasil, TeleSUR, Metrópoles.




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