quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Como Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil: "Levarei isso para o túmulo", diz ele ao NYT




Miami, 5 de novembro de 2026 — Em sua primeira entrevista desde deixar o Brasil, concedida em Miami à repórter Ana Ionova, do The New York Times, o senador e ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) narrou os momentos que o levaram a deixar o país — e recusou-se a revelar detalhes da viagem, mesmo quando o jornal apresentou versões de autoridades americanas que contradizem seu relato.
O momento da decisão

Flávio contou que foi visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na ocasião, a Polícia Federal havia ordenado a entrega de seus passaportes. Disse que o pai olhou nos seus olhos e perguntou:


"Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?"

Ele respondeu: "Estou preparado, sei o que tenho que fazer." E saiu sem explicar o plano ao pai. A decisão, afirmou, foi tomada na manhã seguinte, junto com a esposa, Fernanda.
A versão do senador: "Fui só eu"

Sobre como conseguiu deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos em 28 de outubro, o senador foi taxativo:


"Foi tudo comigo. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo. Como cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo comigo. Pode ter havido torcida, mas nada mais."

Rejeitou qualquer participação de Donald Trump, do governo argentino ou de Javier Milei. Disse que a rota pelo Equador e Argentina foi escolhida por ele mesmo, sem articulação oficial.
A versão do jornal: autoridades americanas apresentam outro quadro

O NYT informa, com base em fontes do governo dos EUA, que:
O jato executivo que o levou a Miami foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca;
A entrada de Flávio e familiares nos Estados Unidos foi autorizada pessoalmente pelo presidente Donald Trump, por meio de um mecanismo migratório temporário;
Durante a escala na Argentina, um dos principais assessores de Milei foi encontrá-lo no aeroporto;
A viagem cruzou mais de 8 mil quilômetros, com paradas no Equador e na Argentina.
"Perdi para o sistema" — e a ameaça de prisão

Sobre o resultado eleitoral, Flávio repetiu teses já rejeitadas pela Justiça Eleitoral:


"Não perdi para Lula. Perdi para o sistema. Os números são matematicamente impossíveis."

Disse que pretende apresentar elementos contestando a votação, mas reconheceu ter poucas chances de reverter o resultado. Avaliou que, sem a saída do país, seu destino seria a prisão:


"Eu já sei qual será o resultado final: a minha prisão."

Afirmou que o ministro Alexandre de Moraes comanda um processo político e que o Judiciário brasileiro age como um partido político. Quando seu mandato de senador terminar, em 2027, perderá o foro privilegiado e poderá ser julgado em primeira instância.
Planos de atuação do exterior

O senador disse que continuará em solo americano e pretende:
Apresentar denúncias sobre o sistema eleitoral brasileiro em fóruns internacionais;
Buscar apoio de parlamentares e autoridades dos EUA;
Manter-se ativo na política, sem descartar candidaturas futuras.
O confronto de versões

Tabela
Flávio Bolsonaro dizAutoridades americanas dizemOrganizou tudo sozinho com a esposa Avião articulado por assessor da Casa Branca
Nenhum governo ajudou Entrada nos EUA autorizada diretamente por Trump
Não contou com Milei nem com governo argentino Assessor de Milei encontrou-o em aeroporto
Detalhes da viagem ficam em segredo Rota Equador → Argentina → EUA foi monitorada

Onde ler a reportagem original

A matéria completa, em inglês, está disponível no site oficial do The New York Times: 🔗 nytimes.com — busca por título: "How Did Flávio Bolsonaro Flee Brazil? ‘I’ll Take That to the Grave,’ He Says", publicada em 5 de novembro de 2026.

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